quinta-feira, 29 de julho de 2010

A gagueira tem solução?

GAGUEIRA:

Como ajudar o seu aluno a se expressar melhor!

O jeito como você trata a criança gaga é decisivo para que ela fale com mais fluência, se relacione com os colegas e se sinta bem em classe. A primeira coisa a fazer é deixar a ansiedade de lado.

A pergunta é simples: onde você guardou o seu caderno? O aluno começa, então, a bater o pé no chão, a mexer nos cabelos e a repetir uma mesma sílaba. Ele vai ficando cada vez mais nervoso ao tentar, sem sucesso, responder à sua questão. Você percebe o mal-estar e fica na dúvida: espero ou ajudo o menino a completar as palavras? Lidar com um estudante gago traz insegurança mesmo. Não é para menos. Algumas atitudes até agravam o problema — que se não for tratado afeta também a auto-estima, a socialização e a aprendizagem. Por isso, sua atuação positiva em sala pode contribuir para a melhora ou a cura no futuro.

As causas da gagueira, chamada por especialistas de disfluência da fala, são um verdadeiro mistério. Várias pesquisas sugerem que ela pode ser genética, decorrente de disfunções fisiológicas ou de origem psicológica. Mas nenhuma é conclusiva. "Não há provas de que uma emoção forte desencadeie a gagueira. Mas emoções provocadas por críticas ou humilhações pioram o quadro", diz a fonoaudióloga Leila Nagib, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A falta de fluência é muito comum na pré-escola. Nessa fase, os pequenos estão aprendendo a falar e é natural que cometam alguns errinhos ao pronunciar palavras e frases — o que não é considerado gagueira. "O ato de falar exige precisão, e a criança nessa idade está adquirindo a linguagem e conhecendo seus movimentos e o próprio corpo", afirma Leila. É normal que ela hesite, faça pausas longas e repita palavras, pois é o ensaio da fala. "Em crianças na pré-escola, é aceitável no máximo 10% da fala disfluente. A partir dos 8 anos, isso deve diminuir progressivamente", explica a especialista em gagueira Claudia Regina Furquim Andrade, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O problema só é preocupante quando o aluno repete sons e sílabas, demonstra esforço para falar, faz movimentos repetidos — como piscar os olhos, bater a mão ou o pé ou mexer nos cabelos — e não olha para a pessoa com quem conversa.

Respeito e incentivo: as melhores atitudes

Além da gagueira, o aluno também tem que lidar com a tensão e a ansiedade que surgem com as críticas. "Ao censurar a criança, o adulto mostra insatisfação com o modo de ela falar. O professor precisa pesquisar sobre como agir e encaminhar os casos a um especialista", afirma a fonoaudióloga Liliane Campos Stumm, professora da Universidade do Sagrado Coração, em Bauru (SP). Ela entrevistou 15 professores de 1ª a 4ª série de uma escola pública da cidade. No início, muitos confundiam gagueira com outros problemas da fala e, apesar da boa vontade, a atitude deles até aumentava a dificuldade. Com o tempo, os professores foram orientados e a maioria dos estudantes passou a fazer terapia. "Eles melhoraram muito não só na fluência mas também na socialização", conta Liliane.

A insegurança e o medo do ridículo geram tanta pressão que as conseqüências são terríveis: a gagueira se agrava, o aluno se isola e seu rendimento cai. Portanto, a atitude positiva dos adultos e dos colegas de classe é essencial. Todos devem ter paciência e evitar interromper o aluno ou chamar a atenção dele. Quando muito pequeno, ele se importa mais com o que quer falar do que como fazer isso. Como não percebe se está se expressando corretamente, não se sente rotulado nem deixa de conversar. Mas, se o adulto ressaltar os seus "erros", a criança começa a dar muita importância ao jeito de falar e fica com medo de abrir a boca outra vez. Isso pode transformar o que seria algo natural da idade em gagueira. "É possível que o problema não se agrave e acabe com o tempo, mas a baixa auto-estima, a dificuldade de se socializar e a insegurança ficam", alerta Leila. Enfrentar isso na infância pode tornar o jovem frustrado e inseguro no futuro. "Um adolescente já me disse que era melhor passar por burro do que por gago", conta Leila.

Fingir que o problema não existe também não resolve. Você é um modelo para a turma. Portanto, se agir espontaneamente com o aluno gago, respeitá-lo e incentivar os colegas a fazer o mesmo, vai ajudá-lo a se sentir aceito e à vontade. Para ensinar a turma a lidar com as diferenças, você pode elaborar atividades ligadas à linguagem em que todos digam o que pensam e sentem, sempre trabalhando o respeito às peculiaridades de cada um. Brincadeiras com rimas, músicas e instrumentos musicais também são úteis. Além disso, olhe sempre nos olhos do aluno. "Manter contato visual e até físico com a criança, como segurar a mão dela, mostra apoio, e não pena", sugere Leila.

Fonte: novaescola.abril.com.br

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Educação sem Violência

Como educar sem usar a violência?
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O Dr. Arun Gandhi, neto de Mahatma Gandhi e fundador do MK Gandhi Institute, contou a seguinte história sobre a vida sem violência, na forma da habilidade de seus pais, em uma palestra proferida em junho de 2002 na Universidade de Porto Rico.

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“Eu tinha 16 anos e vivia com meus pais, na instituição que meu avô havia fundado, e que ficava a 18 milhas da cidade de Durban, na África do Sul. Vivíamos no interior, em meio aos canaviais, e não tínhamos vizinhos, por isso, minhas irmãs e eu, sempre ficávamos entusiasmados com a possibilidade de ir até a cidade, para visitar os amigos ou ir ao cinema”.

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Certo dia meu pai pediu-me que o levasse até a cidade, onde participaria de uma conferência durante o dia todo. Eu fiquei radiante com esta oportunidade. Como íamos até a cidade, minha mãe me deu uma lista de coisas que precisava do supermercado e, como passaríamos o dia todo, meu pai me pediu que tratasse de alguns assuntos pendentes, como levar o carro à oficina.

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Quando me despedi de meu pai ele me disse:

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"Nos vemos aqui, às 17 horas, e voltaremos para casa juntos".

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Depois de cumprir todas as tarefas, fui até o cinema mais próximo. Distraí-me tanto com o filme (um filme duplo de John Wayne) que esqueci da hora. Quando me dei conta eram 17h30. Corri até a oficina, peguei o carro e apressei-me a buscar meu pai. Eram quase 6 horas.

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Ele me perguntou ansioso:

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"Porque chegou tão tarde?”

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Eu me sentia mal pelo ocorrido, e não tive coragem de dizer que estava vendo um filme de John Wayne. Então, lhe disse que o carro não ficara pronto, e que tivera que esperar. O que eu não sabia era que ele já havia telefonado para a oficina. Ao perceber que eu estava mentindo, disse-me:

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"Algo não está certo no modo como o tenho criado, porque você não teve a coragem de me dizer a verdade. Vou refletir sobre o que fiz de errado a você. Caminharei as 18 milhas até nossa casa para pensar sobre isso".

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Assim, vestido em suas melhores roupas e calçando sapatos elegantes, começou a caminhar para casa pela estrada de terra sem iluminação. Não pude deixá-lo sozinho...guiei por 5 horas e meia atrás dele...Vendo meu pai sofrer por causa de uma mentira estúpida que eu havia dito.

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Decidi ali mesmo que nunca mais mentiria.

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Muitas vezes me lembro deste episódio e penso: "Se ele tivesse me castigado da maneira como nós castigamos nossos filhos, será que teria aprendido a lição?" Não, não creio. Teria sofrido o castigo e continuaria fazendo o mesmo. Mas esta ação não-violenta foi tão forte que ficou impressa na memória como se fosse ontem.

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“Este é o poder da vida sem violência".

Como os professores podem prevenir a rouquidão!


"Socorro... Estou ficando rouco..."

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Muitas vezes ficamos roucos sem motivo aparente e com início repentino. O que fazer? Quem procurar? Devemos seguir as receitinhas caseiras de mães, avós? Ou devemos esperar que logo passa?

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A rouquidão muitas vezes é o primeiro sintoma que percebemos de que nossa voz não está bem. Ela geralmente é o indicativo de que estamos cometendo abusos ou mau uso vocal.

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O primeiro passo é tentar fazer uma retrospectiva do tempo em que esta rouquidão se apresenta, qual a duração desta rouquidão e se apresentamos também períodos de afonia (perda total da voz).

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O mais indicado é sempre procurarmos um profissional especialista em problemas vocais ( no caso otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo). O otorrinolaringologista vai analisar a voz do ponto de vista orgânico, ou seja, examinará a laringe e poderá solicitar exames que analisem as Pregas Vocais.

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O fonoaudiólogo irá fazer uma avaliação funcional da voz, ou seja, observará e fará testes específicos para analisar se as Pregas Vocais estão executando adequadamente a função vocal.

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Existem alguns profissionais que estão mais sujeitos a problemas vocais do que outros, pois usam a voz profissionalmente como, por exemplo, os cantores, locutores, professores, palestrantes, entre outros.

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Existem também alguns cuidados básicos que podem ser seguidos por todas as pessoas para preservação da qualidade vocal. Os principais são:

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  • Beber bastante água: a água hidrata o nosso corpo como um todo e também hidrata a região das Pregas Vocais , o que faz com que tenhamos um melhor rendimento vocal.
  • Evitar o excesso de doces, café , leite e alimentos muito gordurosos: o uso excessivo destes alimentos engrossam a nossa saliva, o que dificulta a movimentação das Pregas Vocais.
  • Fazer repouso vocal: o que não significa ficar sem falar, mas evitar os exageros , principalmente em períodos seguidos a um grande esforço vocal, como por exemplo, depois do trabalho.
  • Evitar receitas caseiras como gargarejos, pastilhas, uso de sprays sem receita médica: todas essas medidas mascaram a qualidade vocal e dão a sensação de melhora (temporária) o que pode levar a um abuso vocal. O médico é o único profissional capaz de emitir receitas.
  • Evitar competição sonora: sempre que possível evitar conversar em ambientes barulhentos como ambientes com som muito alto, ambientes com muitas pessoas gritando, pois estes lugares nos levam à um aumento do volume da voz para sermos ouvidos , o que nos leva também a um abuso vocal.
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Para finalizar, sempre que houver qualquer dúvida quanto à voz procure um profissional especializado para melhor orientação. Otorrinolaringologista ou Fonoaudiólogo.

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Katia Ignacio Menegueti
Fonoaudióloga Clínica, aperfeiçoamento em terapia fonoaudiológica pela Santa Casa - SP.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Artigo sobre Educação


Educar é contar histórias


"Bons professores eletrizam seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas, carregando nas costas as lições que querem ensinar"



De que servem todos os conhecimentos do mundo, se não somos capazes de transmiti-los aos nossos alunos? A ciência e a arte de ensinar são ingredientes críticos no ensino, constituindo-se em processos chamados de pedagogia ou didática. Mas esses nomes ficaram poluídos por ideologias e ruídos semânticos. Perguntemos quem foram os grandes educadores da história.

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A maioria dos nomes decantados pelos nossos gurus faz apenas "pedagogia de astronauta". Do espaço sideral, apontam seus telescópios para a sala de aula. Pouco enxergam, pouco ensinam que sirva aqui na terra. Tenho meus candidatos. Chamam-se Jesus Cristo e Walt Disney.

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Eles pareciam saber que educar é contar histórias. Esse é o verdadeiro ensino contextualizado, que galvaniza o imaginário dos discípulos fazendo-os viver o enredo e prestar atenção às palavras da narrativa. Dentro da história, suavemente, enleiam-se as mensagens. Jesus e seus discípulos mudaram as crenças de meio mundo. Narraram parábolas que culminavam com uma mensagem moral ou de fé. Walt Disney foi o maior contador de histórias do século XX. Inovou em todos os azimutes. Inventou o desenho animado, deu vida às histórias em quadrinhos, fez filmes de aventura e criou os parques temáticos, com seus autômatos e simulações digitais. Em tudo enfiava uma mensagem.

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Não precisamos concordar com elas (e, aliás, tendemos a não concordar). Mas precisamos aprender as suas técnicas de narrativa. Há alguns anos, professores americanos de inglês se reuniram para carpir as suas mágoas: apesar dos esplêndidos livros disponíveis, os alunos se recusavam a ler. Poucas semanas depois, foi lançado um dos volumes de Harry Potter, vendendo 9 milhões de exemplares, 24 horas após o lançamento! Se os alunos leem J.K. Rowling e não gostam de outros, é porque estes são chatos. Em um gesto de realismo, muitos professores passaram a usar Harry Potter para ensinar até física. De fato, educar é contar histórias.

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Bons professores estão sempre eletrizando seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas, carregando nas costas as lições que querem ensinar. É preciso ignorar as teorias intergalácticas dos "pedagogos astronautas" e aprender com Jesus, Esopo, Disney, Monteiro Lobato e J.K. Row-ling. Eles é que sabem. Poucos estudantes absorvem as abstrações, quando apresentadas a sangue-frio: "Seja X a largura de um retângulo...". De fato, não se aprende matemática sem contextualização em exemplos concretos. Mas o professor pode entrar na sala de aula e propor a seus alunos: "Vamos construir um novo quadro-negro. De quantos metros quadrados de compensado precisaremos? E de quantos metros lineares de moldura?". Aí está a narrativa para ensinar áreas e perímetros.

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Abundante pesquisa mostra que a maioria dos alunos só aprende quando o assunto é contextualizado. Quando falamos em analogias e metáforas, estamos explorando o mesmo filão. Histórias e casos reais ou imaginários podem ser usados na aula. Para quem vê uma equação pela primeira vez, compará-la a uma gangorra pode ser a melhor porta de entrada. Encontrando pela primeira vez a eletricidade, podemos falar de um cano com água. A pressão da coluna de água é a voltagem. O diâmetro do cano ilustra a amperagem, pois em um cano "grosso" flui mais água. Aprendidos esses conceitos básicos, tais analogias podem ser abandonadas. É preciso garimpar as boas narrativas que permitam empacotar habilmente a mensagem. Um dos maiores absurdos da doutrina pedagógica vigente é mandar o professor "construir sua própria aula", em vez de selecionar as ideias que deram certo alhures.

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É irrealista e injusto querer que o professor seja um autor como Monteiro Lobato ou J.K. Rowling. É preciso oferecer a ele as melhores ferramentas – até que apareçam outras mais eficazes. Melhor ainda é fornecer isso tudo já articulado e sequenciado. Plágio? Lembremo-nos do que disse Picasso: "O bom artista copia, o grande artista rouba ideias". Se um dos maiores pintores do século XX achava isso, por que os professores não podem copiar? Preparar aulas é buscar as boas narrativas, exemplos e exercícios interessantes, reinterpretando e ajustando (é aí que entra a criatividade). Se "colando" dos melhores materiais disponíveis ele conseguir fazer brilhar os olhinhos de seus alunos, já merecerá todos os aplausos.


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Claudio de Moura Castro é economista
E-mail: claudio&moura&castro@cmcastro.com.br